Antes de indicar um tratamento específico, o médico especialista necessita classificar o tumor de bexiga quanto a profundidade de invasão na parede da bexiga (tumores músculo-invasivos versus tumores não músculo-invasivos) assim como realizar o estadiamento tumoral.
As principais opções de tratamento para o câncer de bexiga não músculo-invasivo são cirurgia (ressecção transuretral de bexiga, ou seja, RTU de bexiga) e a terapia intravesical (quimioterapia ou BCG).
Já para os tumores de bexiga músculo-invasivos as principais opções de tratamento são a cirurgia (cistectomia parcial ou cistectomia radical), quimioterapia perioperatória (neoadjuvante versus adjuvante), radioterapia e imunoterapia. Estes procedimentos podem ser utilizados de forma isolada ou combinados.
Cirurgia transuretral ou ressecção transuretral de bexiga tem o objetivo de remover todas as lesões visíveis e suspeitas que são encontradas dentro da bexiga até a profundidade da camada muscular do órgão. Ela é realizada por via endoscópica (através do canal da uretra) e fornece informações tanto para o diagnóstico quanto para o estadiamento da doença. Se confirmar que o câncer de bexiga não atingiu a camada muscular do órgão (tumor não músculo-invasivo), complementa-se o tratamento com a terapia intravesical, geralmente realizada após 4-6 semanas do procedimento cirúrgico. Eventualmente, se julgar necessário, o médico especialista pode vir a indicar uma segunda ressecção, chamada de Re-RTU, com o intuito de ter certeza de que não sobraram tumores antes do início da terapia intravesical.
Terapia intravesical é o tratamento com medicamentos (quimioterapia ou BCG) administrados diretamente na bexiga por meio de um catéter. O objetivo é destruir células cancerígenas remanescentes, diminuindo assim o risco de recorrência e progressão da doença.
Cistectomia parcial (retirada de apenas uma parte da bexiga) ou total (retirada completa da bexiga) é indicada geralmente para tumores de bexiga músculo-invasivos. As cistectomias são feitas por meio de uma incisão no abdômen, com o paciente sob anestesia geral. Em casos de retirada completa da bexiga, realiza-se a reconstrução do reservatório urinário com segmentos intestinais, sendo as alças de intestino delgado as mais frequentemente utilizadas. Esta cirurgia é considerada um procedimento de grande porte e possui altas taxas de complicações perioperatórias, mesmo em serviços de referência e de alto volume. Em alguns casos, a cistectomia pode ser realizada com técnicas minimamente invasivas como a videolaparoscopia ou a robótica. Essas técnicas oferecem vantagens como menor risco de sangramento e, consequentemente, de transfusão sanguínea, menor tempo de internação, menor dor no pós-operatório e necessidade menor de analgésicos assim como uma recuperação mais rápida.
Quimioterapia pode ser usada antes da cirurgia (neoadjuvante) com o objetivo de reduzir o tamanho do tumor e controlar células que possam ter se disseminado ou após a cirurgia (adjuvante) para destruir células cancerígenas remanescentes e diminuir o risco de recorrência da doença. Também pode ser utilizada em conjunto com a radioterapia em pacientes com tumores músculo-invasivos e que por algum motivo clínico ou mesmo por opção própria não retiraram a bexiga (chamado de terapia trimodal – RTU bexiga + radioterapia + quimioterapia). Em doenças avançadas (já com metástases para outros órgãos) a quimioterapia sistêmica costuma ser o tratamento principal.
Imunoterapia – uso de medicamentos para ajudar o sistema imunológico do paciente a reconhecer e destruir as células cancerígenas – é uma alternativa de tratamento. Podem ser utilizadas como tratamento perioperatório ou em pacientes com doença metastática.