A depender do estádio do câncer de testículo o tratamento pode incluir cirurgia, radioterapia ou quimioterapia, a serem indicados de forma isolada ou combinada.
A cirurgia é primeira opção de tratamento para a maioria dos cânceres de testículo. Ela consiste na remoção total do testículo acometido pelo câncer assim como do cordão espermático através de uma incisão na região inguinal (orquiectomia radical). Possui altas chances de cura para pacientes com tumores localizados apenas no testículo (estádio I). A colocação de uma prótese testicular deve ser oferecida a todos os pacientes que serão operados e pode ser feita no mesmo ato cirúrgico. Como os tratamentos para câncer de testículo (cirurgia, radioterapia e quimioterapia) podem impactar a fertilidade masculina, a criopreservação de esperma deve ser ofertada para todos os pacientes antes do tratamento cirúrgico. Ela é a forma mais custo-efetiva de preservação de fertilidade nesses pacientes. Após a retirada do tumor de testículo, o mesmo é enviado para avaliação patológica. O patologista irá determinar o tipo de tumor assim como a sua agressividade. Dependendo dessas informações, existe um risco de 20-30% do câncer se propagar para outras áreas do corpo sendo os gânglios linfáticos retroperitoneais os locais mais frequentes. Dessa forma, quatro estratégias diferentes podem ser utilizadas após a cirurgia e devem sempre ser discutidas com o paciente:
Vigilância: consiste apenas no seguimento dos pacientes com marcadores tumorais e exames de imagem. Na eventualidade de aparecimento de algum tumor em outras partes do corpo, indica-se o tratamento com quimioterapia. Como o tumor de testículo é altamente sensível à quimioterapia, esta estratégia tem sido a mais utilizada. Dessa forma, trata-se apenas pacientes que apresentarem recorrência da doença evitando quimioterapia ou radioterapia em pacientes que não precisarem. Para a realização da vigilância, é muito importante o comprometimento do paciente em realizar os exames indicados sempre na data preconizada.
Quimioterapia: pode-se indicar a realização de quimioterapia com carboplatina (em casos de seminomas) ou PEB/EP (em casos de não seminomas) de forma adjuvante (após a cirurgia). Esse tratamento diminui bastante o risco de recorrência, entretanto expõe muitos pacientes que nunca teriam disseminação da doença aos diversos efeitos colaterais e complicações relacionados à terapia sistêmica.
Radioterapia: utilizada apenas para os pacientes com tumores seminomatosos que apresentam alto risco de recorrência e que por algum motivo não podem ser submetidos ao tratamento com quimioterapia.
Cirurgia (linfadenectomia retroperitoneal): indicada apenas para pacientes com tumores não seminomatosos, essa cirurgia consiste na retirada dos gânglios linfáticos do abdômen. O princípio dessa cirurgia é diminuir o risco de recorrência com a retirada dos gânglios, entretanto tem sido pouco utilizada atualmente devido ao alto risco de complicações e devido ao surgimento do tratamento com quimioterapia, que possui altas taxas de resposta.
Em casos de pacientes com estádio mais avançado (estádios II ou III), ou seja, que apresentam tumores em outras partes do corpo (metástase) ou com marcadores tumorais muito elevados, o principal tratamento é a quimioterapia. Em situações específicas de tumores metastáticos apenas para gânglios retroperitoneais (alguns tipos de estádio II), a cirurgia e a radioterapia podem ser uma opção terapêutica. Importante lembrar que todo paciente com câncer de testículo tratado deve ser seguido periodicamente com exames de sangue (marcadores tumorais) e exames de imagem devido ao risco da doença voltar em algum momento. Como o câncer de testículo responde muito bem a quimioterapia, é muito importante a detecção dessa recorrência o mais cedo possível no sentido de aumentar as chances de cura com o tratamento sistêmico.